Se você cresceu nos anos 90 e 2000, provavelmente já participou (ou sofreu as consequências) da clássica brincadeira de rua: tocar a campainha do vizinho e sair correndo. Foi exatamente essa memória de infância universal, misturada com uma boa dose de nostalgia e cultura brasileira, que serviu como faísca para o nascimento de Ding Dong.
O Início de Tudo: Da Ideia aos Protótipos
A ideia original surgiu em 2015. A Pixel Box CG, que na época havia recém passado pela saída do nosso amigo Fabio e a reestruturação das tarefas entre Paulo e Márcio, precisava de um projeto que não apenas nos ensinasse a programar lógicas de jogos mais complexas, mas que reacendesse a nossa empolgação e fosse imensamente divertido de criar.
A inspiração veio do nosso próprio cotidiano e das brincadeiras de criança. Pensamos: "E se a gente fizesse um jogo sobre a criançada do bairro atormentando a vizinha mais assustadora da rua?". E assim nasceu a temível Dona Coróca.
📅 03/10/2015 — Início da produção de Ding Dong
📅 03/10/2015 — Márcio focado no código
Os primeiros protótipos de Ding Dong foram desenhados literalmente em folhas de caderno e em nossa lousa. Em outubro de 2015, iniciamos a produção com força total. Paulo e Márcio passaram madrugadas em claro debatendo como seria a mecânica de fugir da vizinha enfurecida.
Um Cenário 100% Brasileiro
Queríamos que qualquer pessoa que jogasse o Ding Dong se sentisse correndo por uma rua do Brasil. Por isso, enchemos o jogo de referências nacionais.
Modelamos e incluímos desde o clássico Carro da Pamonha, a viatura da Polícia Militar de São Paulo, o Caminhão de Gás, até a caçamba de entulho na calçada e os ônibus intermunicipais da EMTU de Guarulhos. Os muros receberam grafites (feitos pelo Márcio de quando grafitava muros na sua adolescência) — incluindo a famosa "Dupla Nemly e Nemlerey" —, e toda a ambientação foi criada para randomizar esses elementos a cada partida.
Os Personagens do Bairro
O universo de Ding Dong não estaria completo sem a sua garotada. Cada personagem do jogo ganhou uma história, personalidade, características físicas e até uma trilha sonora própria (sim, dublagens 100% em português e trilhas exclusivas para cada um). Conheça a turma que atormenta a Dona Coróca:
- Buiu (Lucas, 14 anos): O garoto mais descolado. Nascido no RJ e amante do funk, mudou-se para a casa da avó em São Paulo pela promessa de ganhar uma bicicleta e ter mais liberdade. Sua avó o considera um anjo, mas os vizinhos sabem bem quem ele é. É ele quem lidera as brincadeiras e encoraja todos.
- Maizum (Eriosvaldo, 15 anos): Primo do Buiu e jogador da base do time "Baratas Voadoras" na Bahia. Nas férias em SP, ele aproveita para aprontar. É muito engraçado e fala demais. A propósito, ele tem uma dívida imensa com o Jackson, pois foi o Maizum quem chutou a bola de basquete do amigo e a fez cair no quintal da Dona Coróca (e a bola apareceu furada dias depois).
- Matheus (14 anos): O "nerd" medroso do grupo. Ele tenta ficar de fora, mas acaba sempre cedendo à pressão do Buiu, pois Buiu sabe do seu amor platônico por Emilly. Buiu o defende do valentão da rua.
- Dudu (Paulo Eduardo, 9 anos): O mais novo, aventureiro e sonhador, fã de RPG graças ao Matheus. Sempre desaparece, deixando sua irmã mais velha, Emilly, maluca de preocupação.
- Emilly (15 anos): A mais popular do bairro. Vive andando de patins e ouvindo divas pops no volume máximo nos fones de ouvido. Ela frequentemente se distrai com a música e acaba perdendo Dudu de vista, vivendo aterrorizada pela ideia de ele cair nas garras da temível Dona Coróca.
- Felipe Stronda (16 anos): O "rico falido". A empresa dos pais faliu e ele teve que se mudar para o bairro, mas ainda tenta manter a pose de rico. Malha bastante, joga basquete com o Jackson e faz de tudo para impressionar a Emilly (especialmente tentando resgatar o Dudu).
- Jackson (Fabio, 14 anos): Morador antigo, joga basquete e faz amizade com todo mundo. Sua maior tragédia recente foi perder a sua amada bola de basquete para a Dona Coróca, graças ao chute desastroso do Maizum.
- Michael (15 anos): O rebelde. Ele odeia todo mundo desde o dia em que o seu amado gato "Farinha" foi supostamente envenenado pela Dona Coróca.
O Lançamento e o Reconhecimento
No início de 2016, criamos o ícone oficial do jogo e entramos na fase final de polimento, implementando um sistema de física divertido onde cada personagem reage aos impactos e colisões com os cenários de forma muito cômica. Foi um processo árduo.
📅 06/01/2016 — Paulo e Márcio no ano do lançamento
📅 22/04/2016 — O primeiro rascunho do ícone
Em Outubro de 2016, Ding Dong foi oficialmente publicado para Android. Em poucos meses, o sucesso local atraiu a atenção da mídia, e em dezembro de 2016, ganhamos uma matéria de página dupla no jornal de Guarulhos, um momento inesquecível para o estúdio.
No ano seguinte, em Junho de 2017, lançamos o Ding Dong Online, permitindo que as pessoas jogassem direto do navegador, o que ajudou a comunidade a crescer ainda mais.
Hoje, com mais de 250 mil downloads e uma avaliação de 4.8 estrelas, o legado de Ding Dong vai além das linhas de código. Ele nos provou que as melhores ideias costumam vir das brincadeiras mais simples, do suor de madrugadas codando e modelando, e, acima de tudo, de um jogo feito de coração.
Acesse Agora e Jogue!
Ficou com vontade de tocar umas campainhas e fugir da Dona Coróca?